sexta-feira, 28 de dezembro de 2012


“Eu só precisava de atenção e aqueles meses foram os mais gratificantes pra mim. Algumas mensagens de dia, ligações de “eu te amo” a noite e mentiras saindo da boca tão naturalmente que eu acreditaria e platonizaria um amor pelo qual eu estava prestes a organizar todo o meu casamento e os próximos 100 anos com aquela pessoa. Mesmo a distância quilométrica que nos separava, o amor se dizia ser maior, na verdade o pseudo-amor, da sua parte, é claro. Mas quando eu dizia aquelas palavras que faziam todo sentido do mundo pra mim, era verdade. A cada dia mais eu estava prestes a abrir mão dos meus quatro filhos e ter apenas três como você mesmo afirmava. Sua função era somente tentar me fazer feliz. É fácil na verdade me fazer feliz. Era só continuar dizendo que gostava de mim mais que tudo todos os dias. Simples não? Mais barato que conquistar uma criança. Sim, por que criança é na base do doce, dos brinquedos. Eu só a base do amor, do carinho, da verdade. Infelizmente você falhou comigo. E hoje eu só quero que essa distância que antes nos separava seja maior a cada dia.”
Myke Bevilacqua

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Aprendi que em orações com o verbo ser e estar, quando os dois sujeitos pertencerem ao mesmo verbo, não se coloca vírgula entre elas, mesmo as regras dizendo que sim. 
Myke Bevilacqua
    Os olhos se escancararam quando abri a porta e o vi abrindo um sorriso meio inseguro. Era direito dele ir embora naquela hora, não gostar, me xingar, dizer que era feio, mas você só me perguntou se eu iria deixá-lo lá de fora ou o convidaria para entrar. Apreciei mais um pouco aquele sorriso, afastei um pouco a porta que já me servira agora de apoio em detrimento das pernas bambas e o puxei com certa delicadeza para dentro.
   Sentou-se no meu sofá e conversamos por horas sobre o clima da cidade.  Como não havia mais fatores que eu lembrava pra justificar aqueles dias todos sem chover o chamei pra conhecer o meu quarto (fiquei parecendo ser uma pessoa fácil quando falei de ir visitar o meu ninho). Ele me olhou com uma cara de “o que você quer fazer no seu quarto?” e eu já respondi antes dele perguntar de verdade: “calma que eu não vou te matar como fiz com os outros no meu quarto, você vai ser na cozinha”, com uma cara séria. Ele riu muito daquilo. Eu tava tentando ser engraçado pra não dizer coisas idiotas, mas o meu engraçado era ser idiota então dava no mesmo. Levantamos e fomos pra lá. Escancarei a porta com a toalha branca pendurada e ao delimitar a fronteira ele já foi direto pra prateleira de livros. Retirou da posição a obra de Cecília Meireles e a assoprou retirando a camada excessiva de poeira que eu havia deixado acumular por desleixe. Eu corro tentando mostrar que tenho reflexo rápido pra tentar salvar a tempo de não cair no chão alguns outros livros que foram puxados pela força da gravidade. Ele pede desculpas. Apalpa meu travesseiro azul e senta na cama com o livro no colo.
   Por um momento ele esquece que eu estou ali, olhando atento para as páginas e folheando alguns poeminhas que eram menores e mais rápidos de serem lidos. Eu digo que não gosto muito de poesia. Ele fecha o livro e joga-o pro lado. Eu escoro na cabeceira da cama e começo criquilar como um grilo, parece que ficamos sem assunto. Fico pensando no próximo passo daquilo tudo e parece que ele está pensando a mesma coisa. O olhar dele agora parece ser convidativo, antes era a porta da minha casa que se abria pra ele, agora eram os seus olhos que me convidavam para adentrar e conhecer aquele mundo que parecia ser interessante visto de cima. Pego na sua mão, aperto-a pra demonstrar segurança e dou uma piscadinha com um olho só pra quebrar o clima tenso que o ambiente estava causando. Ele sorri meio alto para aquele momento. Eu o beijo levemente, envolvendo os braços sobre aquele corpo que já me pertencia de alguma forma e viajamos dali, pra além de que qualquer livro já pôde me levar.
Myke Bevilacqua


sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

E eu não vou ficar frente ao espelho dizendo a mim mesmo “eu não gosto dele, eu não gosto dele…” assim como Tati. E nem desejando pra todos os cantos “que seja doce” “que seja doce” que nem exclama Caio. Eu não vou fazer isso. Eu quero mais é gritar pelos quatro cantos do mundo: “eu te amo mais que tudo” e que apenas seja. Apenas que seja. Eu, você... que sejamos.
Myke Bevilacqua
Eu te vejo a qualquer lugar que eu olho ou estou. Não basta mais eu querer te ver. Você aparece nas coisas alegres e nas coisas tristes. Nas coisas novas e nas coisas velhas. E quando você me aparece acho graça e rio de tudo. Talvez eu seja mesmo um louco como dizem por aí, mas ninguém vê essas cenas e como você está nelas. Até mesmo olhar pra uma xícara me faz pensar em milhões de possibilidades: eu e você estar tomando um cafezinho numa manhã gelada na nossa futura casa ou recolhendo os cacos de uma outra que foi espatifada no chão depois de você tê-la deixado cair por ter te apresentado ao nosso cachorrinho como seu presente de aniversário. Cara, se você visse o que eu vejo, se buscasse o que eu anseio, haveria mais finais felizes acontecendo por aí.
Myke Bevilacqua

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Quando a gente se encontra no desespero dá vontade de fazer qualquer coisa pra que esse momento angustiante e fatídico passe o mais breve possível. Já tentei contar estrelas, mas é impossível olhar pra elas e estabelecer um parâmetro para aquelas que já foram contadas não sejam novamente. Tentei ler romances inacabados, mas os fins esperados eram de “um feliz pra sempre” sendo que isso não tem dado certo na vida real. Comer freneticamente, conversar com os amigos. Vontades loucas de por um exemplo pegar o carro estacionado na garagem, ligá-lo e sair sem destino mesmo ainda não sabendo manusear o volante. Fechar os olhos pra ver se o tempo passa mais rápido, mas ai vem a mente coisas que de olhos abertos seria bem melhor de vê-los visto que a escuridão coloca sombra as coisas e melancolia não tem sido fonte de força pra ninguém nessas situações. Pedir abraços, dar abraços, roubar abraços. Buscar em alguém a energia que anda me faltando…
Myke Bevilacqua

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Discurso de Despedida - 3° ano B 2011

Talvez isso nunca devesse ser lido por que apesar de ter agradecimentos, palavras que, antes da forma, valorizam o conteúdo, possui também formas indiretas de profunda insatisfação e decepção. Nada épico, nada que vá de certa forma mudar o mundo, mas que irá descrever um pouco dos últimos anos que vivemos e sobrevivemos.
Pensei em escrever coisas bonitas, mas não iria condizer com a verdade e prefiro utilizar dessa mesmo que doa. Claro que não usarei palavras como “vai tomar no cú”, ou “foda-se” por que há palavras mais bonitas que podem ser usadas e  que tenham o mesmo significado. Então, vamos pelo começo.
A maioria aqui não estudou. Sério. E falar que foi duro chegar aqui não foi. Tudo ainda facilitado pela forma de governo educacional que não permite mais você tomar uma reprovação. A maior parte foi carregada nas costas por umas almas bobas e depois ainda viram as cobras que foram criadas destilarem o veneno. Enquanto esperávamos em 2010 ser o melhor ano, o ano de mais realizações, de mais alegrias, foi simplesmente o ano que oramos muito para que passassem mais rápido as horas, os dias e até os segundos.
No começo era bem mais fácil. Lá pela 4ª série era bom. Quando ainda não sabíamos que havia o bem ou o mal; pessoas que prestavam ou não, caráter e outras características que parece que nunca aprenderam alguns. Gostaria de descrever nomes aqui, mas eu peço a cada um que leve para casa somente as palavras que mereçam ouvir.
            Durante esse ensino médio, vivemos em dois mundos. Um deles é o mundo do conhecimento: viajamos pelos quatro cantos do mundo, conhecendo sua geografia, criamos uma estrutura do DNA com balas de goma, reinventávamos fórmulas na hora da prova (o que não era uma boa ideia), lutamos ao lado dos escravos em sua libertação, participamos das duas grandes guerras mundiais, supondo uma terceira, desvendamos algumas loucuras que os filósofos tentaram explicar e conhecemos o pirata do Fernando Pessoa que com sua incrível inteligência criou os seus magníficos heterônimos. É um mundo compensador onde tudo é possível, mas o segundo é superior, ou talvez fosse.
O nosso segundo mundo tem personagens menos conhecidos, mas reais, falsos, atletas, amigos, cobras, leões e alguns normais também. Entre nós, turma do 3° ano, pessoas que compartilharam os piores e melhores momentos, amigos que convivemos e foram a nossa alegria durante algumas estações do ano.
Os professores que foram nesse ano muito mais do que pessoas que compartilham aquilo que sabem, e sim amigos para brincar, compartilhar e amar. Os funcionários que deram algo de si em todo o tempo para que os nossos ambiente se tornasse algo melhor, limparam e arrumaram as nossas bagunças e foram gentis em alguns momentos. A coordenação que não recusou em tempo algum ajuda para os nossos problemas e que fez além do que podia para que tudo corresse de acordo com as nossas expectativas. E principalmente aos pais que deram apoio a cada um de nós e fizeram com que a conclusão dessa nova etapa escolar fosse completada, através do seu suor, trabalho e do seu imenso amor.

            No mais, quero agradecer aqui as meninas que sentam aqui na frente  por serem o pontinho de esperança dos professores não terem desistido da gente ao longo desse ano. Aos meninos do fundão, por terem dado mais alegria aas nossas aulas, apesar de que a maioria das piadas foi bastante sem graça. Há uns dois ou três, talvez só dois mesmo, por nos ensinar o tipo de pessoa que nunca devemos tornar. Aos mentirosos, por terem uma imaginação fértil e acho que de alguma forma isso contribuirá a vocês produzirem alguns contos fantásticos no vestibular (se chegarem lá, é lógico). E por fim, aos meus amigos, que mais do que colegas levarei daqui pra vida.
            E, termino dizendo que assim como o mundo precisa de grandes engenheiros, médicos e afins... o mundo também precisa de gente que limpa as ruas e recolhem nosso lixo. E se me perguntarem se eu sentirei falta desse 3° ano, da escola, dessa rotina direi um NÃO com a boca cheia, mas esclarecerei que sinto falta de alguns de vocês. Aliás, Laís Fêlix, Cláudia Ohanna, Amanda Oliveira, Raiane Mesquita, Caroene Batista, Ágatta Kelly, Bruna Costa, Camila Martins, Nayara e Thaianni eu já estou sentindo.
Myke Bevilacqua

A gente gasta maiores noites de sono planejando os próximos 100 anos com o cara, gastando papel, tinta de caneta e a reserva de criativi...