E eu pisando fundo no pedal e com o volante intacto, não conseguia mais pensar em outra coisa a não ser me jogar no primeiro muro que vesse na frente assim que a o carro atingisse uma velocidade que fosse impossível ao menos um osso continuar inteiro no meu corpo. Era uma morte planejada, mas era melhor acabar com aquilo logo antes que eu colocasse meus planos de acabar com outras em ação. Eram projeteis suficientes em minha cabeça que daria uma ótimo filme de massacre pra pre-estreias noturnas em cinemas. Já haviam sido muitas histórias contadas para minha insônia e ela já dava sinais de que não estava mais interessada naquilo que eu contava. A última coisa que eu deveria fazer era fechar o olho e entrar de cara pra nova vida. Só. É claro que tinha medo de chegar do outro lado com as mesmas dores dessas e que do outro lado não pudesse ao menos agir diante dos problemas que havia me afundado. Foi só um clarão. Nem dor, nem transcendência, nem estalos, anjos ou asas. Só uma voz ofegantemente soprando em meu ouvido o que poderia ser talvez um "quem ama não desiste". Não interessa o que fosse, mas sim quem estava lá. Era o artista principal do meu sonho, aquele que enquanto dormia eu escrevia histórias de amor na esperança de um dia ele protagonizá-las ao meu lado.
Myke Bevilacqua

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